Esse blog tem a finalidade de divulgar ciência e tecnologias em linguagem popular, pois seu melhor entendimento é de total interesse nacional, uma vez que além de promover o desenvolvimento de senso crítico, ele propicia um acompanhamento cada vez mais democrático de seu futuro. Se construirmos um Brasil mais informado, quem sabe, possamos torná-lo mais justo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Nanotobos de carbono (CNTs)

Muitos trabalhos têm sido realizados no sentido de se desenvolver novos materiais nanoestruturados tais como nanotubos de carbono, fulerenos, nanodiamantes e polímeros condutores devido ao seu potencial em aplicações de nanofios para interconexões ativas entre dispositivos de nanoeletrônica, fontes de emissão de elétrons para construção de telas, sensores ultra sensíveis para bioquímica e atuadores.
Nanotubos de carbono (CNTs) podem ser fabricados a partir de uma diversidade de técnicas de síntese e métodos para purificação tais como descargas elétricas, ablação a laser, eletrólise, decomposição catalítica de hidrocarbonetos e outros. Esses métodos possuem vantagens e limitações, sendo desejável o desenvolvimento de novos métodos para a produção de CNTs puros e uniformes.
Aguarde, pois será postada uma patente de como fazer nanotubos que estamos solicitando invenção...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Revisão por Pares

Resumo
A revisão por pares é considerada um dos grandes pilares da ciência contemporânea, sendo fundamental para a dinâmica da produção científica nacional e internacional. O objetivo deste trabalho foi realizar uma análise crítica sobre o processo de revisão por pares. Foram descritos alguns de seus componentes históricos e também ressaltada sua importância para as comunidades de pesquisadores e editores. Por fim, foram levantados alguns problemas inerentes ao exercício desse tipo de legitimação do conhecimento científico e apresentadas sugestões de alternativas para aprimoramento de sua prática.

Introdução
Nos tramites acadêmicos, a revisão por pares é um processo utilizado para verificar: (i) a viabilidade de publicação de periódicos científicos e livros didáticos; e (ii) a concessão de recursos para pesquisas (ref). O objetivo da revisão por pares é tornar a publicação mais confiável no que se refere as informações divulgadas assim como verificar a viabilidade de projetos de pesquisa. No caso de publicações, os revisores (referees), que se mantêm geralmente anônimos ao autor, auxiliam ESTE ULTIMO na identificação de pontos do texto ainda não bem esclarecidos, assim como procuram detectar e informar inconformidades. Os referees auxiliam o editor da revista, a quem cabe a autorização ou não da publicação dos escritos. Basicamente, esta revisão consiste em submeter o trabalho científico à apreciação de especialistas da área correspondente ao tema tratado pelo texto para depositar credibilidade ao que foi ali escrito.
A dinâmica da produção científica nacional é de fundamental importância para a sociedade moderna, pois seus impactos são diretos e indiretos sobre o desenvolvimento tecnológico e social do país. Por isso, representantes de diversas camadas desta sociedade devem estar a par das possibilidades e viabilidade do planejamento estratégico das ciências e tecnologias, e de suas administrações. A revisão de periódicos e de futuros trabalhos é uma ferramenta que tanto as revistas como os orgãos de fomento possuem para legitimar linhas de pesquisa segundo interesses editoriais ou de cunho político. Via de regra, se seguida a rigor, essa prática confere elementos de valorização às revistas e agências de fomento junto aos acadêmicos e ao poder público.
A comunidade científica brasileira privilegia a publicação de artigos em revistas internacionais. As revistas nacionais acabam sendo a segunda opção por conta de: (i) valorização que os orgãos de fomento atribuem aos trabalhos publicados principalmente em lingua inglesa, (ii) devido a competitividade existente entre pesquisadores locais e (iii) a credibilidade dada a essas revistas que está diretamente relacionada aos seus revisores, que podem fazer parte de grupos locais rivais.
Nesse contexto, o estudo da Política de Ciência, Tecnologia e Inovação, embora seja uma área que somente em tempos recentes veio a consolidar-se formalmente no país (Costa e Szmrecsányi, 2007), é componente essencial na elaboração de estratégias de desenvolvimento. O processo de avaliação por pares, apesar de prática já cristalizada nos meios de C,T & I, não é isento de ser analisado e, uma vez questionado, possibilita o planejamento de novos mecanismos de produção, legitimação e circulação do conhecimento.

Uma breve história: das cartas aos periódicos
A comunicação da ciência passou por algumas transições importantes ao longo da história, o que influenciou o desenvolvimento de distintas formas de validação. Os veículos primordiais de circulação do conhecimento foram correspondências pessoais entre os cientistas. Tais cartas eram endereçadas a pessoas ou grupos específicos e não eram revisadas, o que conferia certa limitação à circulação da informação científica. Também eram realizados encontros para experimentos e discussões coletivas no surgimento da chamada “Nova Filosofia” ou “Filosofia Experimental” (McKie, 1966).
Com a crescente prática de reuniões das sociedades científicas emergentes (a partir dos chamados “colégios invisíveis”) foram criadas as atas ou anais, que aglutinavam diversos relatos de pesquisa em um único caderno. Nesse caso, o conhecimento gerado recebia o aval da comunidade de pesquisadores em paralelo à publicação, de modo que os artigos eram lidos e discutidos durante os eventos.
Por fim, em meados do século XVII, foram editadas as primeiras revistas científicas periódicas (a Journal des Sçavants na França e a Philosophical Transactions of the Royal Society of London na Inglaterra), auxiliares vitais das sociedades científicas (embora sem continuidade, algumas iniciativas pontuais já haviam surgido na Itália ainda no século XVI) (MacKie, 1966). Tal modelo foi mantido por séculos e chegou praticamente inalterado em sua essência até os dias de hoje. A grande maioria, senão a totalidade, dos periódicos científicos utilizam o processo de revisão por pares como ferramenta essencial do processo de editorialização.
Atualmente, apesar de existir a coexistência entre estes três formatos de difusão básica da ciência (cartas, anais e periódicos), as revistas certamente representam o veículo oficial com maior aceitação e credibilidade.
O modo de construção do conhecimento, no entanto, vem sendo alterado. Com as facilidades de circulação de informações e pessoas, cada vez mais os grupos de pesquisas são capazes de promover parcerias. A ciência contemporânea passou a ser desenvolvida em colaboração. A metodologia de avaliação dos trabalhos produzidos deverá seguir novas diretrizes para ser mais democrática e por isso com maior credibilidade.
A revisão por pares é comumente aceita como uma parte essencial da publicação científica. Em essência, ela procura ser um processo ético de agregação de valores. Na prática, as formas de revisão por pares que são colocadas em exercício variam de revista para revista e de orgão de fomento para orgão de fomento, o que faz do processo de avaliação por pares ser certamente um tema controverso. O papel representado pelos revisores de trabalhos científicos é motivo de ampla discussão, suscitando inclusive linhas específicas de pesquisa.
Os referees, inicialmente, para analisar criteriosa e profundamente os trabalhos científicos devem ter competência, conhecimento e domínio dos assuntos tratados no texto que por eles será avaliado. A desqualificação do processo de divulgação nacional através dos periódicos acaba por alargar ainda mais o fosso que separa os programas editoriais nacionais daqueles congêneres internacionais, estes já suficientemente valorizados e consolidados.

A importância da revisão por pares
O grau de importância da revisão por pares na comunidade científica é incrivelmente alto. É o que mostra uma ampla pesquisa realizada pela editora Elsevier, na qual autores de todo o mundo que publicaram recentemente em periódicos das mais diferentes especialidades respondem a um extenso questionário. Quando perguntados sobre quais os critérios mais determinantes ao se escolher uma revista para submeter artigos, os dois mais mencionados referem-se à revisão por pares (Figura 1). A rapidez (com 82% de menções) e a padrão estabelecido no processo (78%) superam elementos também muito importantes como o fator de impacto (66%) e o próprio corpo editorial (56%).

Figura 1: Grau de importância de diferentes critérios levantados por autores científicos considerados determinantes ao se escolher um periódico para submeter artigos. (Fonte: Elsevier)

O resultado não foi muito diferente quando os autores foram questionados sobre quais as tarefas a que mais se dedicavam em suas rotinas. Dentre uma extensa listagem de atividades relacionadas à pesquisa, ensino e extensão, grande parte dos cientistas reconheceram que dedicam a maior parte de seu tempo na revisão de manuscritos (Figura 2). O mais surpreendente é que responder e elaborar pareceres sobre trabalhos científicos (33% de menções) requer maior quantidade de tempo que a própria produção de dados através de experimentos (31%).


Figura 2: As três atividades mais mencionadas por cientistas como aquelas que ocupam maior tempo de dedicação. (Fonte: Elsevier)

Dada a relevância da Elsevier, uma das maiores editoras científicas do mundo, a pesquisa é prova concreta da grande importância da revisão por pares na construção do conhecimento científico. Os resultados apontam a crescente necessidade de estudo e planejamento sobre o processo por parte não somente da gestão dos periódicos científicos, mas também através de medidas amplas de política científica e tecnológica.

A revisão por pares em xeque
Apesar do consenso majoritário entre os cientistas sobre a importância da revisão por pares, uma minoria aprova a maneira com que sua prática é realizada. É o que levanta o II Simpósio Internacional em Revisão por Pares (ISPR, na sigla em inglês), que será realizado entre os dias 29 de junho e 2 de julho deste ano em Orlando, nos EUA. O evento apresenta uma proposta bastante desafiadora: revisar a revisão por pares, um dos grandes pilares edificadores da ciência.
Muitos outros aspectos, além dos científicos, afetam a seleção de artigos para os periódicos. O prestígio do pesquisador e a qualidade de sua instituição de origem, por exemplo, muitas vezes sobrepõem o mérito do conteúdo e determinam a aceitação ou não do trabalho para publicação. Além disso, a revisão por pares nem sempre exerce um julgamento razoavelmente imparcial e isento de referências a características subjetivas da produção e da incorporação da ciência na sociedade.
O editores das revistas são responsáveis por grande parte dessa subjetividade na avaliação dos trabalhos. Considerados verdadeiros “porteiros da ciência” (Crane, 1967), muitas vezes acumulam poder de decisão e indicação de revisores e deixam de atuar como mediadores da circulação para ocuparem a perigosa posição de controladores do conhecimento.
Ainda, a revisão por pares é relativamente restrita e raramente representa o esperado consenso coletivo sobre a qualidade e legitimidade dos artigos. A grande maioria das revistas considera apenas dois revisores. Periódicos de grande impacto em geral utilizam cinco pareceristas em suas avaliações. Em qualquer um dos casos, é muito pouco perto das centenas ou até milhares de pesquisadores em cada área que constituem as comunidades científicas atuais. De fato, a decisão sobre a aceitação de um trabalho não chega nem perto de significar um consenso da comunidade de determinado campo científico.
Estimulados por agências de fomento do desenvolvimento científico e tecnológico, os debates sobre essa prática de revisão são cada vez mais creditados no Brasil e no mundo.
As indagações a respeito da avaliação de manuscritos não se referem às diferenças de pareceres, bem elaborados, emitidos por pesquisadores das diferentes áreas disciplinares, cujas recomendações, embora distintas e por vezes divergentes, são de extremo valor, especialmente naqueles artigos que abordam temas multidisciplinares, sempre contribuindo para o aprimoramento do trabalho e da própria produção de conhecimento.
As dificuldades aparecem naquelas situações nas quais o objetivo procurado, ou seja, a detecção de "falhas" apresentadas nos originais é feita de modo pouco preciso e um tanto superficial. O que pode ou deve ser feito para incrementar o padrão das revisões? Como os revisores devem ser selecionados e acionados? Deve ser mantido o anonimato, tanto dos revisores quanto dos autores? Como garantir a mesma qualidade de análise oferecida, às agências de fomento, na análise dos projetos de pesquisa e de seus resultados?

Poucas respostas, porém algumas alternativas
As respostas a essas indagações ainda são poucas, porém têm trazido informações relevantes e revelado a possibilidade de novos formatos para a revisão por pares.
A adoção do anonimato, tanto dos autores quanto dos revisores, não traz diferenças substanciais em relação à análise nele baseada. Características de estilo e de assunto, por exemplo, são particulares a cada autor e muitas vezes facilmente reconhecidas por pares experientes. Dessa forma, variar entre a revisão anônima e a chamada “revisão por pares aberta” não altera significativamente a qualidade da revisão por pares (Crane, 1967; Rooyen et al., 1999).
O papel dos revisores também tem sido re-avaliado. Atualmente pouco reconhecidos, os pareceristas de periódicos não recebem outros benefícios além do acesso antecipado a ideias que estão na fronteira do conhecimento. Por isso muitas vezes fazem revisões superficiais ou demoram em demasia para responder aos editores. A valorização do trabalho dos revisores contribuiria de alguma forma para a melhoria da qualidade dos artigos e também da rapidez da resposta.
Atualmente, cada vez mais os periódicos buscam pela automatização do seu processo de produção como um todo, desde a submissão do trabalho pelo autor e a avaliação pelos pares, até a editoração, impressão e administração da revista. O uso de tecnologia digital e de redes de informação estão alterando consideralvelmente o tipo dos veículos de comunicação da ciência (Stumpf, 1996), e já provocam algumas mudanças na natureza de legitimação do conhecimento.
Além de facilitar e agilizar o processo de revisão, o uso de redes digitais de informação possibilita o surgimento de um formato inovador na avaliação por pares, no qual todos os integrantes de determinada comunidade científica possui o potencial de atuar como pareceristas dos artigos submetidos. Chamada aqui de “revisão por pares integrada”, o processo consiste em disponibilizar a versão submetida na internet com acesso em rede interna aos membros cadastrados daquela comunidade científica. Cada membro individualmente pode atuar como parecerista. Omissões são consideradas como aprovações sem críticas. Só serão publicados os trabalhos que obtiverem uma maioria de aprovações. Apesar de bastante complexo e trabalhoso, tal formato proporciona o tão desejado consenso na avaliação de artigos e evitaria os constantes conflitos característicos da revisão por pares restrita a apenas 2 ou 5 pareceristas.

Conclusão
O complexo processo de produção científica tem uma dinâmica bastante própria e é objeto de debate acerca das possibilidades e viabilidade de seu impacto direto e indireto sobre a sociedade (Goldbaum, 1999). A revisão por pares é um componente fundamental deste processo por justamente caracterizar a ciência e distingui-la de outras formas de produção de conhecimento. O presente trabalho, além de ressaltar a importância da revisão por pares, propõe a necessidade de um constante questionamento e planejamento da prática não somente pelos corpos editoriais dos periódicos científicos mas também, de forma abrangente, pelas políticas públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Bibliografia:

Costa, M.C. & Szmrecsányi, T. (2007). Perspectivas para a política científica e tecnológica no Brasil. Ciência e Cultura núm. 4, pág. 22-23
Crane, D. (1967). The gatekeepers of science: some factors affecting the selection of articles for scientific journals. The American Sociologist nov., pág. 195-201.
Goldbaum, M. (1999). A Revisão de artigos científicos. Revista de Saúde Pública vol. 33, núm. 4
McKie, D. (1966) The rise of scientific societies and periodicals. Phys. Ed. vol 1, pág. 213-222
Rooyen, S.; Godlee, F.; Evans, S.; Black, N.; Smith, R. (1999). Effect of open peer review on quality of reviews and reviewers’ recommendations: a radomised trial. British Medical Journal vol. 318, pág. 23-27
Stumpf, I.R.C. (1996) Passado e futuro das revistas científicas. Ciência da Informação vol 25, núm. 3

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A internet para muito além das redes sociais

Ana Maria resolveu que já era tempo de aprender sobre as novidades da informática. Até pouco tempo atrás, ela fazia parte dos mais de 100 milhões de brasileiros que nunca sequer haviam ligado um computador. Tinha pavor de eletrônicos. “Eles pareciam muito complicados, não pareciam ter sido feitos para mim” comenta a paulista de 49 anos. Entretanto, por conta de seu estabelecimento comercial e da insistência de alguns familiares, ela motivou-se a superar seus medos e ultrapassar seus bloqueios aprendendo as ferramentas básicas (como, por exemplo, um editor de textos) e conhecendo algumas redes sociais (orkut e o twitter). “Esse foi só o primeiro passo. Apesar de ficar meio perdida ainda, as coisas parecem fazer mais sentido para mim agora” relata a comerciante.
O analfabetismo tecnológico refere-se a uma incapacidade em reconhecer o mundo digital e interagir com a tecnologia moderna, principalmente com relação ao domínio dos conteúdos da informática como planilhas, internet, editor de texto, desenho de páginas web etc. A causa do analfabetismo tecnológico é associada à denominada exclusão digital. Esta última vem sendo denunciada em todo o mundo como a forma mais moderna de violência e modalidade sutil de manutenção e ampliação das desigualdades. Tal exclusão não se dá apenas no interior das classes sociais de um país, mas também entre nações e continentes. Os números são assustadores e os efeitos devastadores, não só no que diz respeito a fossos econômicos, como também, culturais. Apenas iniciativas isoladas tais como o programa de alfabetização digital chamado MOVA digital, criado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo em 2001, são tomadas. Uma atitude em nível nacional ainda se faz necessária.
Segundo a educadora Emília Ferreiro, com o computador assumindo função principal na informação, é fundamental que a sociedade se preocupe com as pessoas que estão à margem desta evolução, para não gerar uma massa de analfabetos tecnológicos. Nesse sentido, o professor está longe de dominar os conhecimentos que o computador exige, chegando a fazer parte dos muitos analfabetos. Concomitantemente, com o avanço dessas novas linguagens e tecnologias oriundas da explosão da informática e da internet, percebe-se que as crianças e os adolescentes são quem mais rapidamente dominam essas tecnologias. Os professores seriam aqueles que mediariam o conhecimento, no entanto, primeiro precisam fazer uso dessa tecnologia para acompanhá-la. O que não acontece na maior parte dos casos. Certamente, seria injusto culpar os professores pela situação. O problema é mais complexo e não será amplamente explanada aqui.
“A internet proporciona um material rico e dinâmico, e cabe a cada um de nós buscarmos interação”, salienta o filho de Ana Maria que é blogueiro. A maioria das pessoas tem utilizado os blogs como diários pessoais, porém um blog pode ter qualquer tipo de conteúdo e ser utilizado para diversos fins. O filho da comerciante é mantenedor de um blog de divulgação científica. “Uma das grandes vantagens das ferramentas de blog é permitir que os usuários publiquem seu conteúdo sem a necessidade de saber como são construídas páginas na internet, ou seja, sem conhecimento técnico especializado” complementa o blogueiro.
Aqui nesse ponto é importante salientar que existem inúmeros, senão milhares de milhões de endereços eletrônicos que armazenam informações sobre pseudociências, medicina, fármacos ou ensino de ciência, por exemplo. Informações postadas nesses sites geralmente não seguem os ethos do cientista. Segundo Robert King Merton, o ethos do cientista - princípios que o cientista precisa seguir para que seu trabalho seja reconhecido pela sociedade, é composto de quatro normas básicas: (i) o universalismo, segundo o qual os trabalhos científicos devem seguir padrões universais de avaliação; (ii) o comunismo, segundo o qual o conhecimento proporcionado pelo trabalho científico é um patrimônio comum da humanidade, e não propriedade privada de algum indivíduo; (iii) o desinteresse, segundo o qual o único objetivo em curto prazo do trabalho científico é a ampliação do conhecimento humano; e (iv) o ceticismo organizado, segundo o qual o cientista deve ser privado de qualquer forma de preconceito e de conclusões precipitadas sobre seus trabalhos.
Esses quatro princípios institucionais do ethos, que estão sempre inter-relacionados, garantem a realização do que Merton chamou de “boa ciência”: a ciência que é aprovada pela sociedade e que, graças a isso, mantém-se íntegra, independente de qualquer determinismo e livre para continuar progredindo. No caso da internet, quem fiscaliza a informação que é postada em blogs e youtube, por exemplo? A internet, para muitos, é considerada terra de ninguém devido à fragilidade ou mesmo inexistência de leis que regulamentam sua utilização. Um exemplo disto é o desrespeito generalizado aos direitos autorais, mas não termina por ai.
A imagem de empresas ou a reputação de cidadãos civis e governantes podem, portanto, ser ameaçadas por um simples correio eletrônico, bem como pode se mobilizar consciências em prol de causas virtuais absurdamente falaciosas. Recentemente, a mais importante sociedade científica brasileira – a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) – viu-se envolvida em um desses episódios. O seu jornal eletrônico, de grande credibilidade e prestígio, reproduziu uma notícia que dava conta de que em escolas americanas estavam sendo utilizados mapas que indicavam a região amazônica e o pantanal brasileiros como “área de controle internacional”.
A informação havia sido gerada por uma corrente eletrônica apócrifa, que buscava emprestar veracidade ao fato citando um site ultranacionalista, que apresentava um mapa com aquelas características. Em resumo, a informação era falsa, foi desmentida categoricamente por embaixadores do Brasil e dos EUA, mas provocou uma imensa rede de intrigas, respaldada, certamente, pelo endosso de fontes de ciência e tecnologia.
As redações dos jornais brasileiros, por conta desta fraude, receberam centenas de mensagens eletrônicas de leitores internautas ao mesmo tempo preocupados e indignados com uma possível invasão americana. É possível imaginar os prejuízos que este tipo de informação pode gerar em momentos em que uma polêmica está acesa ou os ânimos estão acirrados, como, por exemplo, em situações de conflito, como as que vigoram permanentemente entre árabes e judeus no Oriente Médio.
Em suma, a exclusão digital é equivalente à exclusão cientifica estando comprometido com os princípios da ética. O fato de ter no laboratório da escola manipulado de maneira limitada um microscópio simples, não o coloca entre os biólogos. Calcular a velocidade de um corpo não torna você um físico. O físico tem uma sinergia com a ciência que se propôs estudar, tem uma subjetividade em relação ao assunto, muito útil e contextualizada. Um incluído digitalmente deve primeiro ter sinergia com o tratamento de informações, uma pessoa que é organizada já o tem de algum modo, e em um segundo momento ela deve ter a capacidade de ampliar essa sinergia com o uso de elementos eletrônicos (Que hoje pode ser desde um smartphone até uma tv conectada à internet). Além de ética por partes do usuários de este meio que cada vez mais está consolidado, espera-se que haja uma discussão sobre a regulamentação do meio. Em um futuro onde você poderá ligar seu cérebro diretamente com memórias eletrônicas, dirão que os primeiros eram pseudo-incluídos e os novos incluídos digitais reais. Concluindo, por mais crescente que seja os números da Inclusão digital do Brasil comparado com o resto do mundo, o maior desafio é ensinar utilizar esse novo veículo para muito além das fronteiras do entretenimento, ou seja, ter este novo veículo como uma fonte barata e rápida de pesquisas de informações, mas visando transformá-las em conhecimento crítico para o cidadão analisar o mundo ao seu redor

terça-feira, 16 de março de 2010

Conheça alguns centros tecnológicos brasileiros: Navegue pelos sites e descubra como somos capazes de desenvolver e aplicar novas tecnologias

BIOLÓGICAS/AGRICOLAS

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa http://www.embrapa.br/ ) vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi criada em 26 de abril de 1973. Sua missão é viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira.

A CATI, (http://www.cati.sp.gov.br/Cati/_principal/index.php) órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo, desde 1967, quando foi criada, vem trabalhando para o produtor rural, prestando serviços e oferecendo seus produtos. A missão dela é “promover o desenvolvimento rural sustentável, por meio de programas e ações participativas com o envolvimento da comunidade, de entidades parceiras e de todos os segmentos dos negócios agrícolas "

Instituto Agronômico de Campinas - O IAC - http://www.iac.sp.gov.br/ como Instituição de Pesquisa tem como missão: "Gerar e Transferir Ciência e Tecnologia para o Negócio Agrícola, visando à otimização dos sistemas de produção vegetal e ao desenvolvimento sócio-econômico com qualidade ambiental"

O ITAL – http://www.ital.sp.gov.br/ - Instituto de Tecnologias e Alimentos é uma instituição de pesquisa e desenvolvimento e assistência tecnológica da secretaria de agricultura e Abastecimento do governo do estado de São Paulo, fundada em !969, na cidade de Campinas, São Paulo

Instituto Biológico http://www.biologico.sp.gov.br/ fundado em 1927 oferece soluções significativas para o agronegócio e as transfere para o segmento produtivo. Contribui da melhor maneira para o desenvolvimento, a redução dos custos de produção, a inclusão social e a preservação ambiental, colaborando para o bem estar da população

O Instituto de Zootecnia - http://www.iz.sp.gov.br/index.php - Referência nacional e internacional por suas pesquisas científicas nas áreas de produção animal e pastagens, tem como missão: "Desenvolver e transferir tecnologia e insumos para a sustentabilidade dos sistemas de produção animal". Em 1909, o Instituto já realizava as primeiras seleções de Gado Caracu, na Fazenda de Seleção do Gado Nacional, em Nova Odessa (SP). Em 1970 foi transformado em Instituto de Zootecnia, adaptando-o às necessidades exigidas pela grande expansão que vinha alcançando a produção animal nas últimas décadas


TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

O CPqD http://www.cpqd.com.br/ é uma instituição independente, focada na inovação com base nas tecnologias da informação e comunicação (TICs), tendo como objetivo contribuir para a competitividade do País e para a inclusão digital da sociedade. Desenvolve amplo programa de pesquisa e desenvolvimento, o maior da América Latina em sua área de atuação, gerando soluções em TICs que são utilizadas em diversos setores: telecomunicações, financeiro, energia elétrica, industrial, corporativo e administração pública.

EXATAS

O LNLS http://www.lnls.br/lnls/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home é um laboratório aberto a usuários do Brasil e do Exterior, que oferece condições excepcionais para os cientistas realizarem pesquisas com nível de competitividade mundial. Mantido com recursos financeiros do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o laboratório possui uma infra-estrutura que inclui Linhas de Luz com estações experimentais instaladas na fonte de luz síncrotron (foto), microscópios eletrônicos de alta resolução, microscópios de varredura de ponta e espectrômetros de ressonância magnética nuclear e outras instrumentações de uso científico. Nessas instalações, são realizados experimentos que contribuem para ampliar os conhecimentos nas áreas de Física, Química, Engenharia dos Materiais, Meio Ambiente e Ciências da Vida, entre outras áreas.

O Centro de Pesquisas Renato Archer é uma instituição do Ministério da Ciência e Tecnologia. Em 20 anos de atividades, o CenPRA www.cenpra.gov.br/ conquistou sua posição de relevância, em função da variada gama de atividades tecnológicas que vem realizando junto à comunidade. Hoje, com cerca de 230 pesquisadores e 12 laboratórios, o CenPRA dispõe de infra-estrutura tecnológica capaz de atender demandas por soluções inovadoras, favorecidas por um modelo operacional flexível. Suas competências tecnológicas estão em permanente evolução oferecendo acesso ao conhecimento no estado da arte.

O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – IPEN - https://www.ipen.br/sitio/?idm= é uma autarquia do Governo do Estado de São Paulo, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento, antiga Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico. É gerenciado técnica, administrativa e financeiramente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear e associado para fins de ensino de pós-graduação à Universidade de São Paulo. Localizado no "campus" da USP, ocupando uma área de 500.000 m2, o Ipen tem hoje uma destacada atuação em vários setores da atividade nuclear entre elas, nas aplicações das radiações e radioisótopos, em reatores nucleares, em materiais e no ciclo do combustível, em radioproteção e dosimetria, cujos resultados vêm proporcionando avanços significativos no domínio de tecnologias, na produção de materiais e na prestação de serviços de valor econômico e estratégico para o país, possibilitando estender os benefícios da energia nuclear à segmentos maiores de nossa população.


EXÉRCITO
O centro de tecnologia do exército CTEX - http://www.ctex.eb.br/ - tem como objetivo realizar pesquisas científicas, o desenvolvimento experimental, o assessoramento científico-tecnológico e a aplicação do conhecimento visando à obteção de produtos de defesa de interesse do Exército.

UNIVERSIDADES

O Centro de Tecnologia da UFRJ http://www.ct.ufrj.br/ engloba 4 importantes unidades acadêmicas, abrangendo um universo de ensino, pesquisa e extensão de alto significado para a tecnologia nacional. A comunidade do Centro de Tecnologia é composta por cerca de 500 professores, 6400 alunos de graduação, 4500 de pós-graduação e 600 servidores técnico-administrativos, sendo assim o segundo maior Centro da UFRJ. Tem sede no Prédio do CT, onde desenvolve a maior parte das suas atividades, além de ocupar áreas em outros prédios do Campus da Cidade Universitária e em outros Campi da UFRJ.


UNIVERSIDADE – EMPRESAS

Ao longo de sua existência o Instituto UNIEMP http://www.uniemp.br/ produziu grande volume de importantes estudos e projetos voltados a todos os setores da atividade humana e de áreas de conhecimento que são os contratos que serão colocados em PROJETOS, destacando-se como entidade pioneira no seu campo de atividade

O CETEC http://www.cetec.mg.gov.br/index.php é uma fundação de direito público, criada em março de 1972, como um centro de pesquisa multidisciplinar, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento tecnológico do Estado e do País. As atividades de pesquisa e desenvolvimento, de prestação de serviços de referência e de difusão tecnológica executadas abrangem tanto tecnologias avançadas, que apontam para o futuro, quanto a melhoria de tecnologias tradicionais, de aplicação ampla e imediata, em atendimento às micro, pequenas, médias e grandes empresas. A instituição tem contribuído na formação e treinamento de recursos humanos, oferecendo posições de trabalho para bolsistas e estagiários, promovendo cursos de curta duração e colaborando com universidades em programas de pós-graduação, em suas áreas de excelência. O CETEC participa da Rede Temática em Engenharia de Materiais, um programa de pós-graduação (Mestrado e Doutorado), reconhecido pela CAPES, que o CETEC oferece em parceria com a UFOP e a UEMG. Missão - Contribuir para a modernização das atividades produtivas pela apropriação de conhecimento e do desenvolvimento e antecipação de soluções tecnológicas, ambientalmente compatíveis, em benefício da sociedade.

O Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia – Cietec - http://www.cietec.org.br/index.php - foi inaugurado em abril de 1998, a partir de um convênio celebrado entre a atual Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo – SD, Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas de São Paulo – SEBRAE-SP http://www.sebraesp.com.br/, a Universidade de São Paulo – USP www.usp.br , o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – IPEN www.ipen.br e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT www.ipt.br , tendo como missão incentivar o empreendedorismo e a inovação tecnológica e apoiar a criação, fortalecimento e consolidação de empresas e empreendimentos inovadores, de base tecnológica. Para consecução de seus objetivos são conduzidos pelo Cietec, entre outros, processos de pré-incubação, incubação e pós-incubação de empresas de base tecnológica, destinados, basicamente, a apoiar a criação e desenvolvimento de empresas, particularmente de micro e pequenas empresas e o seu fortalecimento e consolidação dessas empresas, em especial em termos de participação no mercado e geração de empregos de qualidade.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Novos materiais: SEMICONDUTORES MAGNÉTICOS


Semicondutores magnéticos SM podem proporcionar um novo tipo de controle da condução em dispositivos. Os componentes eletrônicos tradicionais baseiam-se, em geral, no controle de portadores de carga (n ou tipo p, mobilidade de elétrons), mas com semicondutores magnéticos também é permitido controlar o estado quântico do spin (para cima ou para baixo). Teoricamente, com isso seria possível proporcionar quase total polarização do spin, o que seria fantástico para aplicações em spintrônica (unidades de disco rígido, transistores, memória magnética de acesso aleatório e outros). Além de armazenamento de dados, esses materiais também poderiam ser utilizados para cálculos computacionais simultaneamente.
Entretanto, tais os SM, ainda, não estão no mercado. Porém, nas próximas décadas estarão e certamente farão parte dos mais sofisticados computadores do mundo. Grupos de pesquisadores de tecnologia de ponta do Brasil (Unicamp) também trabalham na síntese e na caracterização de tais materiais.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sobre Calendários Maias

Por Waldemar Brasil

Introdução
Olá caro leitor, seja bem vindo à leitura desse texto. Antes de iniciá-la e já iniciada, preciso lhe dizer umas coisas. Saiba que não sou nenhum escritor e por isso não espere uma linguagem formal durante a leitura desse texto, sou apenas um mero curioso e admirador desses calendários e a minha intenção aqui é mostrar para você como são esses calendários e a “matemática” por trás deles.
Ultimamente me deparei com as famosas “profecias Maias de fim do Mundo”, e fazendo uma pesquisa na internet, encontrei muita coisa, alguns lugares falavam que o mundo ia acabar em 21 de dezembro de 2012, que iriam acontecer terremotos, tsunamis, tempestades solares, inversão dos pólos, etc. Como não me iludo com poucas informações e sempre procuro saber com um pé na ciência e outro pé na lógica, pesquisei mais, encontrei alguns livros, que li e outros que ainda leio. Percebo que é um estudo longo, e que jamais saberei tudo, mas também não é essa a minha intenção.
Desde o início a minha intenção foi saber o que pode acontecer ou não em 2012, o que diziam os Maias sobre isso. E então descobri que o contrário do que é divulgado, as profecias Maias existem e podem ser encontradas no Libro de los Libros de Chilam Balam e em muitas inscrições em pedras, e o que vai acontecer em 2012, é apenas o fim de um grande ciclo num de seus calendários, aquele conhecido como Conta Longa.
Existem muitos calendários maias, diferentemente da nossa civilização que possui apenas um calendário, o Gregoriano, sem considerar é claro, outras culturas dentro do nosso contexto “humano”. Os Maias (descendentes) sobrevivem ainda e vivem mais precisamente na Guatemala e México, e ainda utilizam os seus calendários, e se um dia você for visitá-los poderá verificar que o que está escrito aqui é apenas uma idéia do que alguns povos usam, pois pode haver diferenças de local para local – o início do ano civil, por exemplo, é comemorado atualmente em fevereiro pelos quichés, e em abril pelo povo de Tikal.
Na internet você encontrará outros calendários baseados no calendário Maia e tenho certeza que depois que você ler essas palavras aqui escritas vai saber diferenciar o que é maia do que não é.
Não fiz uma pesquisa muito aprofundada, esse texto é apenas para se ter uma idéia e poder até usar esses calendários no dia a dia.
Durante a leitura desse texto você vai aprender basicamente como funcionam três calendários, o Tzolkin, Haab e o de Conta Longa. Já será suficiente para você distinguir como é um calendário Maia e como é o ciclo desses calendários, sendo assim suficiente para você perceber que essa civilização era muito evoluída e admirável.
Não me aprofundei na parte mística dos calendários, você irá encontrar aqui apenas uma idéia de como funcionam os três calendários, matematicamente falando. Muito embora essa parte mística é integrante desses calendários, sendo que cada dia ou mês nesses calendários tem um significado.
Espero que você compreenda tudo que está escrito aqui.
Uma boa leitura.

veja vídeos em http://hudsonzanin.blogspot.com/search/label/Maias%20%282%29

Calendários Maias
Como disse anteriormente, vou elucidar aqui apenas esses três: (i)Tzolkin: calendário sagrado usado em cerimônias religiosas, composto por um ciclo de 260 dias; (ii)Haab: calendário civil usado para a agricultura e bens comuns, composto por um ciclo de 365 dias; (iii) Conta Longa: usado para registrar a história de forma mais precisa, uma vez que os dois primeiros calendários em conjunto formam um ciclo de apenas 52 anos, ou seja, se repete a cada 52 anos. Com esse calendário eles podiam contar o tempo por um período maior que 52 anos.
Esse texto é para você entender o calendário Maia, cuidado com os sites da internet que você acessa, na grande maioria, não trata do calendário Maia e sim, de outro calendário. Acredito que depois de ler esse texto você saberá diferenciar e identificar um calendário Maia.
O Calendário Civil Maia (Haab)
Esse calendário sem dúvidas nenhuma era aquele calendário comum a todos da comunidade Maia, é um calendário solar, assim como o calendário Gregoriano, usado por todos nós.
Agora mesmo entramos em 2010, e dizemos isso da seguinte forma: “Feliz Ano Novo!”
Entretanto, essa contagem, é apenas uma mudança no nosso calendário civil, do Calendário Gregoriano, e entenda por “civil”, aquele que é comum a todos, assim, perceba que quando todo mundo diz “feliz ano novo”, o que acontece é a passagem de um ano para outro, 2009 para 2010, por exemplo.
Todos nós seguimos esse calendário de forma coletiva, sabemos que hoje é dia 23 de março ou dia 5 de setembro e dessa forma vivemos a nossa vida baseada nessa sucessão de dias. As semanas, os dias da semana, e a sua sequência são inspirados nas fases da lua, temos 4 fases com duração de 7 dias.
Enquanto o gregoriano é organizado numa sequência um pouco confusa de meses de 30 ou 31 dias, o equivalente maia para o ano solar, o Haab, ou calendário civil, é organizado em 20 períodos de 18 dias, mais um pequeno período de 5 dias chamados por eles de Uayeb, que eram dias de sacrifício em preparação à chegada do novo ano. Existe também o Tun, período de 360 dias (18x20) e o Tun-Uc , período de 364 dias (13x28). Paralelo ao Haab e a qualquer outro período estará sempre o Tzolkin, o ciclo sagrado de 260 dias.
Como o Planeta dá uma volta em torno do Sol em 365 dias (arredondados), ainda faltam 5 dias, então eles acrescentam 5 dias num 19º mês (chamado de Uayeb). Esse “mês” representa uma preparação para o ano seguinte. As seis horas que sobram no movimento de translação do Planeta, o que nos permite ter um ano bissexto de 4 em 4 anos, é corrigido a partir de um ciclo chamado “1508 haab” que é equivalente a 1507 anos solares.
“Uma espécie de "correção natural", que elimina a necessidade da contagem de anos bissextos, é o ciclo de 1508 haab empregado pelos maias, que é equivalente a 1507 anos solares, com uma exatidão cerca de 70 vezes superior ao sistema de correção vigente no calendário gregoriano, o ano bissexto.”
(Fonte: http://www.calendariosagrado.org/meso/ccma.html)
Quando estava escrevendo esse texto, me deparei com essa informação acima, e fui pesquisar a respeito das contas. Um amigo do Orkut, e justamente a pessoa que escreveu essa informação, me ajudou nas contas, segue a sua explicação logo abaixo.
“-> O ano solar verdadeiro tem uma duração média de 365,24219878 dias;
-> O ano solar gregoriano tem uma duração média de 365,2425 dias;
-> E o ano solar maia (usando o tal sistema de 1508 Haab = 1507 anos solares) tem uma duração média de 365,24220305 dias (usando 8 casas decimais).
Portanto vejamos as diferenças entre o ano solar verdadeiro (A.S.V.) em relação ao ano gregoriano (A.S.Greg.) e ao cálculo do ano solar como calculado pelos Maias (A.S.Maia), em | módulo |:
-> Entre A.S.V. e A.S.Greg. = |365,24219878 – 365,2425| = 0,00030122 dias
-> Entre A.S.V. e A.S.Maia = |365,24219878 – 365,24220305| = 0,00000427 dias.
Portanto, dividindo 0,00030122 (dif. do cal. greg.) por 0,00000427 (diferença do cal. Maia), teremos um resultado aproximado de 70,5433, o que significa que a diferença do ano médio gregoriano em relação ao A.S.V. é 70 vezes superior à diferença do ano médio maia em relação ao mesmo A.S.V.” (Fonte: Alektryon)

É admirável como uma civilização antiga, poderia criar um calendário que seja tão preciso. O nosso calendário Gregoriano é muito impreciso, não só com relação ao período de translação, mas também com relação aos meses, pois temos meses de 30, 31 e menos dias.
Seguir um calendário que esteja integrado com a Natureza, significa se integrar com Ela também. O calendário Gregoriano foi criado em 1582, antes do mesmo veio o Juliano, e nessa transição houve diversas polêmicas sobre as correlações
Era uma época muito primitiva na história da humanidade, estávamos engatinhando na ciência, e a igreja sofria uma grande influência nas nossas vidas. Nessa época que Galileu foi acusado pela igreja por defender as idéias de Copérnico sobre a teoria Heliocêntrica (Planeta Terra girando em torno do Sol). Enfim, o nosso calendário Gregoriano é antigo, imperfeito e obsoleto, criado numa época que se acreditava que a Terra era o centro do Universo.
Assim como no calendário Gregoriano temos os meses com nomes, janeiro, fevereiro, março e assim sucessivamente, no Haab também há nomes e uma seqüência a seguir, veja os nomes dos meses, numerados abaixo juntamente com o Glifo correspondente (glifos são símbolos usados como escrita, e com eles são representados os dias, os vinais, os tuns, etc), posteriormente você vai ver que os dias também possuem os seus Glifos.

Como você pode verificar o primeiro mês no Haab é o Pop, equivalente ao mês de janeiro no Gregoriano, o segundo mês o Uo que equivale ao mês de fevereiro, porém todos os meses tem o mesmo número de dias (20 dias) que são numerados de 0 a 19, e lembre-se que no décimo nono mês (Uayeb) temos apenas 5 dias. Nota: Entenda por equivaler aos respectivos meses, como uma ordem do primeiro mês nesse calendário para o último mês que seria o décimo oitavo, segui do décimo nono mês que possui apenas 5 dias.
Leia a descrição da Wikipédia em relação ao mês de 5 dias:

“Wayeb'
Os cinco dias sem nome no fim do calendário, chamados Wayeb', eram dias que se acreditavam perigosos. Foster (2002) escreve que "durante o Wayeb' , os portais entre o reino mortal e o submundo se dissolviam. Nenhum limite impedia que as deidades mal-intencionadas causassem desastres". Para afastar os maus espíritos, os maias tinham costumes e rituais que eram praticadas durante o Wayeb' . Por exemplo, as pessoas evitavam sair de casas e lavar ou pentear o cabelo.”
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_maia#Calend.C3.A1rio_tzolk.27in
.Repare que temos nomes diferentes, “Uayeb” e “Wayeb”, porém de fonéticas iguais. Abaixo seguem os numerais Maias, a forma de se escrever os algarismos na sua linguagem.

Portanto, podemos ter uma data 2 Chen (dia 2 do nono mês) e uma representação nesse calendário seria:

Como você pode ver, temos na frente do glifo o numeral Maia (9) seguido do glifo correspondente ao mês chamado de Chen, e depois, em numeral maia, o dia 2.
Entretanto o dia em que a gente se encontra nesse calendário também tem uma representação na forma de glifo, veja abaixo a representação inteira desse dia baseado no calendário idealizado por Thiago Cavalcanti, do profeto CMAIA.

Esse é um exemplo de uma possível representação dessa data que no calendário Gregoriano seria o dia 12 de setembro de 2009, o número 4 (ao lado da data tradicional) é a quantidade de dias que se passaram no ciclo de 260 dias do Tzolkin (veremos a seguir), o 2 Chen a data no calendário Haab e o 4 Kan, representados por um glifo e numeral é o dia no mesmo calendário sagrado Tzolkin, aqueles 5 números separados por pontos a representação desse dia na contagem longa (veremos a seguir) e o G1 é o senhor da noite nesse dia que não vou explicar nesse texto por se tratar de misticismo maia, porém indico o site para você saber mais.
Parabenizo aqui Thiago Cavalcanti, juntamente todos que desenvolveram e desenvolvem o projeto CMAIA (Calendário MesoAmericano Independente e Aberto), pela iniciativa de se criar esse calendário.
Segue a descrição do calendário:


Se você quiser baixar esse calendário, acesse o site:
http://www.calendariosagrado.org/

Como já foi dito, a descrição da representação da data de 12/09/2009 você pode verificar que temos o mês e dia do calendário Haab, assim como a representação do dia no calendário Tzolkin e ainda a Contagem Longa, além do deus patrono da noite e o número do Kin na nossa língua (de 1 a 260) no clico de 260 dias do calendário Tzolkin.
Agora que sabemos identificar o dia e o mês no Haab, poderemos entender como funciona o calendário Sagrado Tzolkin, e então você poderá compreender que este também possui glifos, representados por numerais. (A rigor os glifos eram a linguagem escrita deles em si, serviam para designar tudo o que não fosse numeral)
O Calendário Sagrado Maia (Tzolkin)

Se você parar para pensar, vai perceber que temos o nosso próprio calendário, o nosso próprio tempo, aquele que conta a nossa idade. No exato momento do seu nascimento, o Planeta se encontrava numa posição em relação ao Sol, e ao completar um ciclo (uma volta) em torno da estrela, completamos um ano. A nossa idade é contada a partir do calendário Gregoriano, estamos totalmente subordinados ao mesmo. Logo, toda vez que você completa esse ciclo todo mundo te diz: “Feliz Aniversário” e é um dia especial para você, sem dúvidas.
Você pode ter nascido naquele dia, porém foi concebido ou concebida bem antes, em média de 9 meses antes de nascer, o que nos daria no nosso calendário Gregoriano, 9 x 30 = 270 dias, se considerarmos apenas os meses de 30 dias, pois temos os meses de 31 dias também dentre esses 9 meses, isso ainda se não pegar um mês de fevereiro no meio do caminho, ainda mais se for um ano bissexto.
Cientificamente falando, a contagem da gestação da mulher é feita baseada numa regra conhecida por Regra de Naegele, que é de 40 semanas (280 dias) entre a última menstruação e o nascimento.
Que seja, temos 270 dias (ou mais) de gestação, ou ainda, 270 dias de idade aqui no Planeta Terra, mesmo que seja no interior do ventre de sua mãe.
O Tzolkin é composto por um ciclo de 260 dias coincidindo, de certa forma, com essa quantidade de dias que seria da duração da gestação humana. Este número é próximo do número médio de dias entre o primeiro período menstrual perdido e o nascimento, diferente da Regra de Naegele.
Cada um desses 260 dias é uma combinação entre um dia do ciclo de 20 dias que é usado um glifo para representar, e outro dia do ciclo de 13 dias, é usado um numeral. Os numerais aqui usados serão os mesmos usados no Haab.
A seguir temos uma tabela. Na primeira coluna temos o número de 1 a 20, que segue a contagem dos dias nesse calendário, diferentemente do Haab que a contagem de dias pode ir de 0 a 19. Na segunda coluna temos o Glifo correspondente e na terceira coluna o nome desse glifo.
Dia 03/04/2009 tínhamos o dia 0 no mês Pop (mês 1 - Haab) e 11 Ik no Tzolkin.

Começando com 1 Imix, 2 Ik, e assim sucessivamente; após o 13 Ben, ao invés de 14 Ix será 1 Ix, lembrando que os números vão de 1 a 13.
Veja a data de 06 de janeiro de 2010:

Se quiser acessar esse conversor, vá para o site:
http://www.calendariosagrado.org/
No Tzolkin temos 3 Ahau, ou seja, terceiro dia na sequência de 1 a 13, e o vigésimo glifo na contagem de 1 a 20. Tanto o glifo como o numeral possui um significado. Essa combinação da origem ao Kin do dia.
Uma pessoa que nasceu no dia 23 de março de 1976, possui um Kin, e com essa representação é possível prever o que essa pessoa será no futuro, qual a sua personalidade. Fazendo as conversões para esse dia, temos o seguinte Kin.

Repare que temos o 11 e depois o Glifo, chamado Etznab. Como disse esse Kin pode dizer a personalidade de uma pessoa.
No site que indiquei você pode fazer a conversão para a data do seu nascimento e ainda verificar o significado do seu glifo e numeral.
Voltando ao dia 6 de janeiro de 2010, verificamos o mês 14 – Kankin no Haab (veja glifo do Haab) e no dia 18 no Haab, já no Tzolkin estamos no 3 Ahau.
O leitor deve estar meio confuso com relação a esses números de dias, pois enquanto estamos no dia 18 do mês Kankin (décimo quarto mês) no Haab, também há o dia do Tzolkin que segue uma sequência diferente, pois se trata de um ciclo de 260 dias, diferentemente do ciclo de 365 dias do Haab.
Para entender melhor essa relação vamos visualizar novamente a mesma data, porém na forma representada no calendário do “Projeto CMAIA”.

Veja o dia 18 do décimo quarto mês chamado de Kankin, o terceiro dia na contagem de 1 a 13 e o vigésimo glifo na sequência de 1 a 20 dos glifos do Tzolkin.
No dia 9/09/2009 a data do Tzolkin é 1 Imix, e somente no dia 27 de maio de 2010 teremos essa combinação novamente, completando assim um ciclo de 260 dias. Há ainda uma sincronização entre as duas datas do Haab e Tzolkin, formando um novo ciclo de 52 anos, chamado Ciclo de Calendário.
Ciclo de Calendário
Cada mês do Haab tem 20 dias (0 a 19) que é o mesmo número de glifos que encontramos no Tzolkin (Imix até Ahau).
Para entendermos essa sincronização se faz necessário numerar os anos no Haab, para a sua informação o ano 11 Ik se iniciou em 3 de Abril de 2009 e vai terminar em 2 de Abril de 2010, portanto estamos nesse ano.
O número do ano segue uma contagem de 1 a 13, juntamente com um glifo correspondente do próprio Tzolkin, porém a sequência do glifo segue de 5 em 5. Logo, no próximo ano Maia, será 12 Manik, depois 13 Eb, 1 Caban e assim sucessivamente.
Observe o nome dos glifos:
01 - Imix ("Jacaré")
02 - Ik ("Vento")
03 - Akbal ("Casa")
04 - Kan ("Lagartixa")
05 - Chicchan ("Serpente")
06 - Cimi ("Morte")
07 - Manik ("Veado" ou "Mão")
08 - Lamat ("Vênus" ou "Coelho")
09 - Muluc ("Água")
10 - Oc ("Cachorro")
11 - Chuen ("Macaco")
12 - Eb ("Erva" ou "Caminho")
13 - Ben ("Junco")
14 - Ix ("Jaguar")
15 - Men ("Águia")
16 - Cib ("Abutre" ou "Coruja")
17 - Caban ("Movimento")
18 - Etznab ("Faca")
19 - Cauac ("Tempestade")
20 - Ahau ("Flor" ou "Senhor")

Como temos 20 glifos, são separados em 5 grupos de 4 glifos cada, uma vez que sempre contamos de 5 em 5, veja os grupos:
Grupo 1: Imix, Cimi, Chuen e Cib
Grupo 2: Ik, Manik, Eb e Caban
Grupo 3: Akbal, Lamat, Ben e Etznab
Grupo 4: Kan, Muluc, Ix e Cauac
Grupo 5: Chicchan, Oc, Men e Ahau

Para haver novamente a coincidência do ano 1 com o Imix (1º glifo), devemos buscar o mínimo múltiplo comum entre 13 e 4, que é 4 x 13 = 52, que significa o total de anos que possui o chamado Ciclo de Calendário, obtendo assim um novo ciclo.
Os calendários Maias se sincronizavam como se fossem engrenagens de um motor.

Usando o conversor vamos ver quando a data de 23 de março de 1976, no calendário Maia, vai se repetir com a mesma combinação Tzolkin/Haab.

Aqui está o próximo dia:

Observe que não será exatamente no dia 23 de março de 2028, que é o dia do aniversário (de alguém) de 52 anos no calendário Gregoriano, mas vale ressaltar que durante esses 52 anos do calendário Gregoriano temos 13 anos bissextos, logo, para obtermos a data correta de sincronização dos dois calendários maias, basta retirarem 13 dias, o que nos dá dia 10 de março de 2028.
O calendário Maia como você pode observar, é totalmente independente do calendário Gregoriano.
Apenas com este período de 52 anos, datas maiores não poderiam ser registradas, por isso foi criado o Calendário de Conta Longa.

Contagem Longa

Chegamos finalmente ao tão polêmico calendário.
A Contagem Longa, como já foi dito, é usado para registrar acontecimentos históricos.
Esse calendário tem início no dia 11 de agosto de 3113 a.C. e terá o seu fim no dia 21 de dezembro de 2012.
A polêmica em torno desse dia de 2012 foi o que me fez estudar esses calendários. Para você entender como funciona esse calendário vamos observar a data de 8 de janeiro de 2010:

Observe que nessa contagem temos 5 números separados por ponto:
12.19.17.0.2
Essa configuração representa o total de dias que se passaram desde o início dessa contagem, que se supõe que tenha iniciado no dia 11 de agosto de 3113 a.C.
Primeiramente vamos nomear cada um desses cinco números, e então vamos ver como são contados esses dias. Da direita para a esquerda, temos o primeiro número (o número 2), esse é o Kin (dia), portanto no dia 9 de janeiro de 2010 será 12.19.17.0.3 e assim sucessivamente até chegar em 12.19.17.0.19, que após esse dia será 12.19.17.1.0. Perceba, portanto que em 20 dias temos um novo dígito na segunda posição contada da direita para a esquerda, nomeada de Uinal. Veja a figura a seguir que você poderá verificar todos os nomes.

Enquanto o Kin segue uma contagem de 0 a 19, o Uinal segue uma contagem de 0 a 17, totalizando 18 meses de 20 Kins, assim como é no Haab. O Tun e Katun seguem na mesma base que o Kin, de 0 a 19, a base 20. Já o Baktun, não se tem certeza se vai até 20 ou até 13.
Dia 21 de dezembro de 2012 terá essa configuração:
13.0.0.0.0 ou 0.0.0.0.0
Caso permaneça a contagem, dia 22 de dezembro de 2012 será 13.0.0.0.1 seguindo assim normalmente. Como foi dito, essa configuração representa a quantidade de dias que se passaram desde o início dessa contagem, dessa forma cada número desses 5, representa uma quantidade dias que na somatória de todos podemos calcular quantos dias se passaram desde 11 de agosto de 3114 a.C. assim:
• BAKTUN: 144.000 dias -> 7200 x 20
• KATUN: 7.200 dias -> 360 x 20
• TUN: 360 dias -> 20 x 18
• UINAL: 20 dias -> 1 x 20
• KIN: 1 dia

No dia 21 de dezembro de 2012, o calendário de conta longa completará 13 Baktuns, ou seja, 13 x 144.000 = 1.872.000 dias equivalente a aproximadamente 5.125 anos desde o início desse grande ciclo.
Além disso, temos o indício, através da famosa “Pedra do Sol” dos astecas, de que estamos no “Quinto Sol”, ou quinta era. Cabe destacar aqui que não existe um consenso no que se refere a QUAL ciclo estamos. O fato é que, caso este seja o quinto ciclo, estaríamos, então, prestes a completar um ciclo ainda maior, de 65 BAKTUNS (5x13x144.000), 9.360.000 dias, que é algo bem próximo à duração de um movimento de precessão do planeta Terra, conhecido como “movimento de inversão dos pólos”. Aí vemos a importância do TUN: aprendemos na escola que um movimento de precessão é algo em torno de 26.000 anos. E veja: 9.360.000 dias = 26.000 x 360 ! Portanto, esse ano “errante”, que era usado por diversas culturas antigas, com 360 dias, parece ser bastente útil e exato a LONGO PRAZO, como no exemplo desse grande ciclo de precessão terrestre, dentro da “Contagem Longa”.
(Fonte: http://www.calendariosagrado.org/meso/cl.html)
Uma observação interessante é que há uma relação entre esses três calendários, num primeiro momento perceba que o total de dias no Tun é o mesmo do Haab considerando apenas os 18 meses de 20 dias, e ainda o Kin que é 2 no dia 8 de janeiro, é o glifo do Tzolkin, o Ik, naquela contagem de 0 a 19.



Conclusão
Não sei se devia colocar uma conclusão, pois esse trabalho, essa pesquisa, não acaba aqui.
O número 13 aparece constantemente nesses calendários, por isso a chegada do décimo terceiro Baktun é tão polêmica. 13 Baktuns totalizam aproximadamente 5125 anos e há fortes indícios de que estamos na quinta era, logo, se passaram aproximadamente 26 mil anos que é o tempo de duração de um movimento de precessão do Planeta Terra.
Vale ressaltar que os Maias jamais previram um fim do mundo, não há previsão maia sobre cataclismos. Atribuir profecias de fim do mundo, ou mesmo divulgar calendários idealizados, dizendo que são calendários Maias, é praticamente desrespeitar a antiga civilização e também os seus descendentes que ainda vivem na Guatemala e México.
Enfim, espero que você tenha se familiarizado com esses três calendários Maia, meu nome é Wal, “11 Etznab”, se você quiser me contatar seguem meu email e MSN, foi um prazer.
Email: walbrasil_33@yahoo.com.br
MSN: walbrasil_33@hotmail.com

Sites sugeridos:
http://www.calendariosagrado.org/
http://pessoas.hsw.uol.com.br/calendario-maia.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_maia

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

CUSTO BRASIL - O LEGADO DOS MEGAEVENTOS

por Hudson Zanin e Caroline Del Negro Simoes

Tanto a copa do mundo de futebol de 2014 quanto às olimpíadas de 2016, podem ser potenciais amenizadores do Custo Brasil. Este termo genérico utilizado para descrever o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, econômicas que freiam o desenvolvimento do país, poderá ser reduzido devido à realização dos megaeventos, ressalta o professor do núcleo de estudos de políticas públicas da Unicamp, Dr. Geraldo di Giovanni. Grande parte deste otimismo se deve ao legado dos megaeventos, que podem ser bastante positivos no que se refere à infraestrutura (construção de instalações esportivas, aeroportos, transporte de cargas e passageiros, hotelaria, centros de lazer etc). Tais investimentos poderão proporcionar diretamente a melhoria da qualidade de vida, o aumento de empregos, a projeção turística do país e estimular iniciativas de recuperação e a preservação ambiental. “A tecnologia para o desarrolar da infraestrutura e parte do dinheiro para tal, nós já possuímos, sumariamente, os megaeventos irão atuar como catalisadores no desenvolvimento do país”, segundo professor de economia da Unicamp, Dr. Marcelo Proni. Por outro lado, o economista alerta possibilidades de se produzir efeitos negativos tais como: geração de dividendos em função do mau planejamento de obras, inflação devido ao aumento excessivo do custo de vida, e divulgação negativa da imagem do país se ocorrerem atos violentos.
De acordo com o pedagogo professor da Unicamp, Dr José Roberto Rus Perez, o custo Brasil também possui uma coesa relação com os problemas educacionais da nação. A falta de profissionais capacitados pode influenciar no mau desempenho do mercado onerando os custos de produtos, porém, o estudioso ressalta que algumas medidas estão sendo tomadas, mesmo que paliativas, como a criação de escolas técnicas e a ampliação de vagas em universidade.
Perez comenta que esta problemática poderá ser atenuada com um dos maiores legados que os eventos mundiais tem a capacidade de proporcionar, que seria a valorização da educação como formação pessoal, ou seja, de cidadãos. Atualmente, a população brasileira não possui exatamente esse perfil, pois é caracterizada por 40% de analfabetos funcionais, “Pessoas com baixa escolaridade procuram menos seus diretos, tem menor bagagem para fazer a análise mais crítica do cenário do país, mas pelo visto, nos querem assim” relata o acadêmico.
Com o intuito de aprofundar essa questão da educação, o grupo de estudo do pedagogo iniciou uma pesquisa, na qual acompanhará o quadro educacional do Rio até a realização das olimpíadas. “Iremos analisar cuidadosamente a situação da cidade maravilhosa no que refere a inserção na educação e a melhoria da qualidade do ensino, e inicialmente acompanharemos até depois dos jogos...” A preocupação é justificada, uma vez que o professor aponta dados do IBGE em que menos de 60% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão devidamente matriculados no ensino médio. “Sem educação de base não se forma uma sociedade crítica que desenvolve tecnologias e que briga por seus direitos”, conclui o acadêmico.


Tabela fornecida pelo IBGE que mostra o percentual de jovens inseridos em instituições de ensino no Brasil e em suas duas maiores metrópoles

O professor Dr. Paulo César Montagner, diretor da faculdade de educação física da Unicamp, também acredita que haja uma relação do modelo de desenvolvimento esportivo brasileiro com a formação do ser humano e conquentemente com o custo país. “A prática esportiva está relacionada com a transmissão de valores e formação do caráter, então deveria ser garantida para todos. Contudo, o modelo brasileiro de desenvolvimento esportivo é fundamentado no modelo europeu, no qual a prática de esportes em geral acontece em associações privadas. O modelo piramidal anglo-saxão é o que julgo mais interessante, já que a prática esportiva começa na escola. No caso brasileiro, a escola não é mais elitista como nos anos 1960, já que todos os brasileiros até os 14 anos têm acesso à educação, mas ainda existe defasagem na qualidade do ensino”. Oferecer melhores condições é a segunda parte do desafio brasileiro, se a inserção da educação física na escola ir além do rola bola, poderá ajudar os educadores na difícil tarefa de auxiliar os jovens e adolescentes a consolidarem seu senso crítico e avançarem na questão comportamental. “Se a transmissão de valores for papel elementar de nossas escolas então teremos naturalmente inúmeros heróis olímpicos, eles apareceram naturalmente” complementa o educador.


Representação esquemática dos modelos de desenvolvimento do esporte: (1) Modelo Anglo-saxão. A, B e C são porções da população. A e B representam a grande massa em um Estado no qual o esporte é oferecido a todos. Somente uma pequena porção da população, representado por C, pratica esporte de alto rendimento. (2) Modelo Europeu. Neste modelo a prática de esportes em geral acontece em associações (clubes da iniciativa privada), ou seja, nem todos têm acesso ao esporte por que sua prática requer recursos financeiros

O professor da faculdade de engenharia elétrica Dr. Secundino Soares Filho completa ainda que o custo Brasil é em muitos casos relativo mais a interesses políticos do que falta de conhecimento científico ou tecnológico. “Há quase 20 anos venho tentando convencer o operador nacional do sistema elétrico (ONS) que estamos gerenciando mal nosso sistema. Poderíamos reduzir em até 50% o valor da nossa energia elétrica, o que certamente reduziria o custo país”. Casos como esse, nos mostram que devemos nos atentar para a política implícita em qualquer planejamento ou ação do Governo.
O Brasil possui a oportunidade única de avançar na direção de solucionar seus problemas com infraestrutura básica e educação através dos investimentos nos megaeventos. No entanto, é necessário cobrarmos o planejamento mais critico das melhorias que serão implantadas no país, para não tenhamos que aceitar “elefantes brancos” como os produzidos pelo Pan do Rio. Concomitantemente, os quesitos transparência dos gastos públicos e o esforço para aumentar a inserção dos jovens na escola versus a melhoria da qualidade do ensino, certamente são medidas que trarão legados maravilhosos para qualquer cidade, inclusive para a que ainda não é tão maravilhosa assim. Somente quando exercemos nossa cidadania, garantiremos que esses megaeventos sejam oportunidades, e não megafrustações ou megafiascos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

FILOSOFANDO SOBRE O TEMPO

por Waldemar Brasil

Olá. Eu não te conheço.
Você está lendo o que estou escrevendo, ou melhor, o que escrevi. O que para você é o tempo presente, para mim é o tempo futuro, uma vez que você irá ler este texto, ou talvez não, pois o presente é, e está sempre presente. Observe que assim como no meu agora, que é passado para você... você, neste momento, sem dúvida nenhuma, está realizando alguma ação, com a ressalva de que você esteja vivo(a); e no entanto o presente para você que é o futuro do meu agora, sem dúvida estarei eu, realizando alguma ação no seu momento presente, com a ressalva de que eu esteja vivo.
O que está acontecendo, na realidade, é o que está acontecendo sempre, o tempo. Há quem diga que ele não exista e há quem diga que existe. Eu não sei o que dizer a respeito, mas já estou dizendo.
O que existe é apenas o agora, um exemplo prático foi elucidado acima.
Vamos estabelecer um elo, entre o agora (meu) e o agora (seu), ressaltando o que já disse, você está lendo no seu agora e eu estou escrevendo no meu agora, então vamos conversar.(rs)
Repare que neste exato momento, o presidente do Brasil está realizando alguma ação, talvez, no banheiro escovando os dentes, ou fazendo outras coisas, (rs).
Em virtude disso podemos dizer que o presidente dos EUA, também realiza alguma ação neste exato momento, e assim sucessivamente não só para pessoas importantes, como também para o padeiro da esquina, ou qualquer outro animal do Planeta.
Basta você olhar pela sua janela e logo irá ver o presente, o momento, o agora, a única coisa que existe. Isso é o que está acontecendo agora, aquilo que ouviu a um segundo atrás é o passado, e o que poderá ouvir ou ver, daqui alguns instantes é o futuro. E no entanto quando ouvir ou ver o que ocorrer, será o presente, o atual momento e não mais o futuro dito à pouco.
Posso te dar um exemplo prático. Na hora em que leu o “posso” que escrevi à pouco era o presente mas agora o passado, pois você já leu o que escrevi e continua lendo no presente e não pára de ler o que estou escrevendo e espero que por esse motivo esteja entendendo o que estou escrevendo. Com relação ao futuro posso te dizer que vou escrever uma palavra. Neste futuro irá ler a palavra carpe dien.
O nosso grande problema é que na maior parte do momento, não o percebemos. Pensamos em algo que fizemos, ou em algo que temos que fazer, e acabamos por esquecer o que estamos fazendo alguma coisa.
Da próxima vez que estiver andando na rua, olhe a sua volta e perceba o momento atual, observe o carro que passa na rua, ou a pessoa que passa ao seu lado que você inclusive, não conhece. Perceba o pássaro que voa perto de você, o vento que bate no seu rosto. Este será o seu momento, isto será a sua vida acontecendo de maneira inevitável.
A maior prova de que é realmente só o presente que existe é o fato de sempre ser noite e dia ao mesmo tempo, se agora é noite no Brasil, lá no Japão será dia, percebemos a existência de um momento presente, apenas, durante a copa de 2002, realizada no Japão.
Você já deve ter andado de ônibus. Imagine que ao lado da poltrona que está, uma pessoa está sentada. Você não a conhece e nem conversa com ela, vão realizar uma viagem de uma cidade a outra. Passarão momentos que durarão um certo período lado a lado. Observe que isso pode ser considerado uma coincidência, uma vez que neste determinado momento está ao seu lado uma pessoa que não conhece e se encontram lado a lado, indo para uma mesma direção. Normalmente não dizemos que este fato é uma coincidência pelo simples motivo que não nos chamou a atenção como, por exemplo, encontrar em Londres andando na rua, algum conhecido, ou amigo, da sua infância; isto sim diríamos ser uma coincidência.
Entretanto pesquisando em dicionários encontraremos para a palavra coincidência: Estado de duas coisas que coincidem. 2. Realização simultânea de dois ou mais fatos; simultaneidade. Logo podemos concluir que o encontro de duas pessoas desconhecidas, num ônibus ou numa fila de banco é também uma coincidência. Deste modo, vou mais longe, olhe pela sua janela e observe algum fato ocorrendo, neste exato momento...
Isto é uma coincidência. Um pássaro que voa próximo a sua janela, um carro que passa agora na frente de sua casa, uma buzina acionada, simplesmente tudo que está acontecendo agora é uma coincidência (realização simultânea de dois ou mais fatos).
Ler este texto é uma coincidência. Vamos lá, reflita, como conseguiu este texto e como foi o histórico de seus momentos passados até chegar a ler estas palavras?
Baseado neste contexto chega-se a seguinte conclusão, se tudo é coincidência então as coincidências não existem, simplesmente é a Natureza sendo o que É.
O tempo simplesmente é, simplesmente acontece e segue uma lógica existente no passado, ausente num futuro e sempre presente no presente. Pertencemos a essa lógica, somos partes desta e contribuímos para a continuidade da mesma.
Continuemos então, a viver, o momento como se fosse o primeiro e último de nossas vidas, brincando com o inevitável e acreditando na existência de um passado e de um futuro, ausentes no inevitável momento, presente apenas em nossas mentes.
Isto é o que nos faz...
...simplesmente vivos...
...carpe dien.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O FUTURO DOS TRANSPORTES: Carros Híbridos

O salão internacional do automóvel realizado nesse mês em Frankfurt, na Alemanha, é a mais importante feira automobilística do mundo, pois trás todas as novas tendências do mercado para os próximos anos. Os grandes destaques deste ano foram os veículos elétricos, híbridos e superesportivos. Os luxuosos últimos certamente serão de acesso restrito a uma pequena gama de afortunados. Já os primeiros são cada vez mais necessários e tendem a se tornar mais acessíveis. “Carros menos poluentes e mais eficientes são absolutamente uma necessidade da sociedade moderna” diz Alfredo Peterlevitz (Doutor em física-Unicamp).
Afinal de contas, quem nunca se assustou ao abastecer o carro, principalmente se ele é movido à gasolina? O preço do barril de petróleo chegou a ser vendido por 147 dólares nos últimos que para os próximos anos no pós-crise o barril será negociado por volta de 70 dólares. Por isso, é natural que as pessoas pensem em trocar seus carros por outros mais econômicos. Melhor ainda seria se os veículos fossem também os menos poluentes, haja vista a atual condição do ar dos grandes centros.
Os carros elétricos são, com certeza, os veículos que menos emitem gases causadores do efeito estufa, além de seus reabastecimentos serem incomparavelmente mais baratos. No entanto, eles apresentam desvantagens significativas quando comparados aos demais. Inicialmente, eles possuem baixa autonomia, ou seja, podem circular por volta de poucas centenas de quilômetros antes de haver a necessidade de recarregar de suas baterias. Outro problema é o tempo que se leva para as baterias serem completamente carregadas, aproximadamente 12 horas. E o maior agravante seria viabilizar o fornecimento de energia elétrica para a recarga de uma grande frota de veículos.
Os carros híbridos são uma combinação do melhor que existe nos carros movidos a motores combustão e os elétricos, por isso, são os mais promissores. A economia e a eficiência desses veículos estão fundamentadas nas tecnologias por eles agregadas. Seus motores mais leves e pequenos foram especialmente desenvolvidos para serem mais eficientes que os convencionais. Nos modelos mais bem sucedidos como o caso do Prius da Toyota, o motor a combustão é elaborado para funcionar em rotação constante, o que propicia média superior à 27km/l de combustível. Em momentos nos quais o carro necessita de mais energia como no caso da subida ou rodovias o motor elétrico auxilia o a combustão. Quando o carro se encontra em descida ou parado em semáforo ou congestionamento, o motor a combustão funciona como um gerador de energia elétrica e carrega o sistema elétrico.
O maior agravante é o preço desses híbridos que ainda são bastante elevados o que acaba inviabilizando sua comercialização em muitos paises como no caso do Brasil. “O fator preponderante, que determinará a rapidez na qual os avanços tecnológicos dos veículos híbridos ocorrerá e a produção em série dessas máquinas, é o preço dos combustíveis”, argumenta o engenheiro eletricista Roberto Iannini (UNB). Enquanto os preços forem elevados, não haverá uma empresa automobilística sequer que não terá algum modelo híbrido como opção aos seus clientes, justificou o engenheiro. Paises europeus e o Japão que são dependentes do petróleo externo, buscarão cada vez mais alternativas para não desequilibrarem suas balanças comercias se houver fortes altas dos combustíveis fosseis.